O que falar da privacidade…

Nem adianta gritar ou reclamar. Na internet, não temos privacidade mesmo. Parece que já não é mais algo que se possa controlar. Pode ser que nosso nome não esteja diretamente vinculado a todas as coisas que fazemos online, mas estou certa de que está tudo registrado. E colocar os pingos nos “is” é um tropeço.


É possível que nossos dados se não hoje, futuramente, estejam circulando por aí livremente. Hoje a chance de alguém procurar informações sobre nós e encontrar já é grande.Mas apesar dessa falta de privacidade, agora é uma necessidade me conectar com pessoas de todo o mundo, testar os limites de como conseguir informações, ver fotos e ler coisas escritas por conhecidos e desconhecidos.

Muito mais que antes somos gado que consome. Nunca antes havia sido tão fácil conhecer o gosto da massa, os hábitos, interesses, o que a massa anda pensando, em que banner está clicando, o que pode hipnotizar coletivamente. Tem texto dizendo que dá para nos analisar e classificar por meio das pesquisas que a gente faz, através de páginas que a gente visita, etc.

Podemos até tentar lutar contra isso, mas como? Se eu tenho uma conta no Google por exemplo e estou logada, imagina!

Com uma conta no Google posso ter um blog, leitor de feeds, álbum de fotos, Orkut, posso participar de grupos de discussão, ler emails, conversar pelo Google Talk, fazer pesquisas no Oráculo-Google, usar o editor de textos e armazenar textos e planilhas em algum lugar imaginário, no limbo-Google, dentre outras muitas possibilidades. Com um login único saberão demasiado sobre mim.

Com tudo o que a gente clicou, viu, armazenou e que o Google ficou sabendo, ele nos sugere textos que possam ser do nosso interesse no Google News, relembra as pesquisas feitas anteriormente por nós, conta nossos acessos ao Analytics, mostra anúncios supostamente relevantes.

E quando pensei nisso, quando li sobre isso, achei assustador, mas e aí? Posso ficar sem o Google? Difícil. Isso só falando no Google. No meu caso, imagino coisas perdidas orbitando a web, coisas das quais não me lembro mais, de uma década usando a internet.

Mais uma vez acho que não escolhemos nada, somos escolhidos. É como o conto de Cortázar (Preámbulo a las instrucciones para dar cuerda al reloj ) que agora aparece até em comerciais de tv como algo super cool: “No te regalan un reloj, eres el regalado“.

Com relação a este conto, tem gente que diz: “Ui, por isso eu não uso relógio, por isso vivo sem amarras, contra a ditadura do tempo.” HA-HA. Como se no mundo atual se livrar de um objeto servisse de algo. Sonha.

Link
:

E a privacidade foi pro brejo – Techbits (post e links)

[Atualização 19/06/07)
novo link sobre o assunto:
Usuários temem perder privacidade com o Google

foto deste post de backpackphotography sob licença CC Attribution 2.0

Tags: , ,

1 Resposta a “O que falar da privacidade…”


  1. 1 Alessandro Martins

    Eu acho engraçado aquelas pessoas que fazem um perfil no Orkut – que tem acesso público, geral e irrestrito – e acham ruim que pessoas estranhas leiam suas informações e mensagens assim disponibilizadas. Elas já ouviram falar em email? Abraços meu caro.

Comente