Acho que foi no ano de 1993, quando aprendi a manejar um computador sem muito medo.
Foi num curso da S.O.S Computadores. Nem me lembro qual era o computador que eles tinham. Só me lembro que tinha monitor monocromático (daqueles de tela preta com letras verdes), e o pc não tinha disco duro. Na época usávamos o DOS 3.0 ou algo assim. E eu fui ali fazer um curso completo, de sistema operativo (o próprio DOS), editor de texto (Wordstar), planilhas (Lotus 1, 2,3), banco de dados (D Base III Plus) e uma espécie de programação (Clipper Summer 87). Agora aquilo tudo parece dos tempos dos dinossauros e nao me lembro mais nada daquilo. Imagino o pessoal que começou com os cartões perfurados.
Eu tinha medo até de ligar o computador. Pelo menos depois do curso percebi que ter medo de fazer algo errado no computador não tinha fundamento.
Lembro-me que como o computador nao tinha disco duro, a gente tinha que colocar o disquete de tamanho 5 e 1/4 com o DOS num drive do computador antes de ligá-lo. E então o pc lia os dados do disquete. Depois a gente tirava o disquete e colocava outro de exercícios no lugar. Jogava Prince of Persia, e outros dos quais nao lembro o nome.
Depois deste curso tive um computador. Era um 386 com windows 3.1. Foi meu primeiro. Como muitas pessoas, tive o computador infectado pelos mais variados vírus (principalmente pegando jogos emprestados), usei diferentes versões de sistemas operativos, gastei muito tempo esperando o computador “pensar”, tentei me adaptar às infinitas novidades e ainda acho tudo legal, mas já cansa um pouco ter que se adaptar a um mundo tão dinâmico e mutante. Afinal, gastei dias em aprender um monte de coisas que hoje nao servem para nada.
No colégio aproveitava para conversar no Videotexto.
A internet só usei anos depois, em 96 acho. Com um disquete 3 1/2 que vinha com o programa para instalar o discador do UOL. E o modem fazendo aquele barulho de jegue reumático.
Dava até para saber pelo ruído que o modem fazia se a conexão ia durar ou não. Se a linha ia cair logo, se carregando uma determinada página, sempre a mesma, se a linha ia cair misteriosamente.
Passei por mil provedores diferentes. Não me lembro do nome da metade deles. STI, Terra, Ig, outros menores… Alguns dos provedores tinham também BBS. Passei madrugadas e madrugadas na internet para poder aproveitar o pulso depois da meia noite. Tinha ataques de nervos cada vez que escutava o ruído da linha caindo “tec”. Um ruído quase imperceptível. E muitas vezes a linha caía a toda hora e eu achava que era algum tipo de conspiração. E o parto de esperar as páginas descarregarem. A reza braba para baixar arquivos.
Pensar agora em tudo isso, agora que tenho internet por cabo, é até cômico. Mas sei que muita gente ainda anda sofrendo com os provedores, linha caindo, páginas que carregam lentamente e me lembro como era comigo.
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