Pequeno pesadelo virtual

Acho que tenho que me benzer. É o que se pode chamar de história de terror virtual.
No ano passado me matriculei em um curso virtual organizado por uma conceituada Universidade espanhola. Expediam um certificado e parecia uma grande idéia poder ter melhores noções sobre o direito espanhol. O curso no seu conjunto é bom, mas como em qualquer outro, o aproveitamento e a qualidade depende muito da nossa dedicação, esforço e das pessoas que participam aportando idéias e conhecimento. Não vou especificar o nome do curso já que é pago e não pretendo fazer propaganda do mesmo. Só quero mesmo é desabafar os constantes problemas que tenho com documentos, burocracia, falta de organização, essasensaçao de inseguran ça ao pensar que esses dados, as atividades que fazemos no mundo virtual, esses zeros e uns, de um dia para outro pode se tornar um nada, um vazio mesmo.

Eu e meus companheiros de curso tivemos diversos contratempos. O perfil do aluno desse curso é muito diverso. Éramos todos formados em Direito, mas em distintos países, com diferentes experiências profissionais, cada um seus próprios objetivos, crenças, etc. etc. E como era um curso totalmente virtual, havia gente de todas as partes do mundo, vivendo em diferentes continentes. Assim que, ocorriam diversos problemas, com o horário das atividades, os documentos enviados para formalizar a matrícula, o pagamento do curso e por aí vai. No decorrer do curso começaram a ocorrer algumas confusões na própria plataforma do curso, como gente que não conseguia enviar os trabalhos pela plataforma, instabilidade nos chats , notas que não se sabiam ao certo como estavam sendo calculadas, trabalhos que não apareciam no prazo, testes que não estavam abertos para resolução dentro do prazo, etc. Mas aos trancos e barrancos fomos superando estes contratempos, em meio a uma tensão muda.

Ao final do curso, saiu uma lista provisória com o “aprovado” ou “reprovado” e muita gente protestou já que várias pessoas que nas matérias haviam sido aprovadas apareciam nessa lista como “reprovadas”. E as pessoas que protestavam precisavam provar que haviam feito todos os trabalhos e provas, o que me parece um absurdo, porque essas divergências poderiam ser facilmente verificadas por quem administra a plataforma e tem as respectivas cópias das atividades. No entanto, conforme a chamada “libertad de cátedra” de cada professor, cada matéria precisa ser verificada com o respectivo professor para poder saber o que aconteceu, o que faz com que um erro de transcrição de nota, para ser simplesmente verificado e contrastado se torne uma aventura kafkiana.

Ao final do curso, depois de aprovar todas as matérias menos uma, que deixei de entregar no prazo determinado, pela insegurança causada por vários incidentes anteriores, pedi à secretaria do curso que me dessem um certificado ou algum documento formal informando que eu havia aprovado todas as matérias menos uma. Tal documento pelo menos poderia me servir de garantia no ano seguinte, para a hora de me matricular novamente apenas na matéria que me faltava, para qualquer eventualidade e como comprovante. Na secretaria me disseram que não era possível expedir tal certificado, já que eu não havia aprovado o curso inteiro e que havendo uma matéria pendente eles não poderiam expedir nenhum documento.

Posteriormente, na plataforma apareceu uma lista com as matérias aprovadas e reprovadas pelos alunos, de forma que baixei esta lista e deixei quieta essa história. Aliás, guardei tudo o que pude, com capturas de tela, pdf de todas as notas e comentários dos professores, etc. Depois, com o término do curso, a plataforma saiu do ar. Assim que, chegada a hora, enviei novamente meus documentos para me matricular na matéria que me faltava por aprovar.

E eis que agora, depois de mais de um mês da secretaria do curso ter aceito meus documentos em que solicito a matricula na matéria que falta, me ligam hoje dizendo o seguinte: ” Você quer se matricular em direito mercantil, é isso?”. Eu: “Sim”. Eles: “Mas você foi reprovada em duas matérias. Você também foi reprovada em Constitucional”. Eu (quase tendo uma síncope, mas tentando manter a calma): “Não, mas eu fui aprovada em Constitucional. Só me falta cursar Mercantil. Tenho aqui guardado tudo.” Eles: “Olha, eu não sei. Aqui aparece que você não tem nota de Constitucional. Você tem guardados os dados?” Eu (já tremendo pelos nervos): “Guardei. Se você quiser eu te envio por email tudo o que tenho de Constitucional”. E eles: “Sim, manda mesmo, porque aqui aparece sem nota. Espera… vou ver aqui em outra lista… Bom, aqui aparece que você tem um 7 de Constitucional. Você aparece aqui como aprovada. Mas nessa outra lista você está sem nota. Bom, acho que foi um erro tipográfico. Desculpe-me . Não precisa enviar nada.” Com essa ligaçao conseguiram quase me causar um ataque de nervos e para nada. No final a coisa ficou assim.

E continuo com essa sensaçao de insegurança, de que podem me dizer a qualquer hora que tudo o que tive que fazer nesse curso foi apagado de algum servidor e que agora não vale mais. Um verdadeiro pesadelo. Continuo sem nenhum documento que formalmente me diga em quais assinaturas estou aprovada de maneira que podem novamente chegar um dia desses e me cobrar coisas que eu não teria porque provar. Eles que se organizem melhor. Mas fazer o quê… É preciso ter calma, quem sabe melhora se respiro fundo, medito…

Lista de notícias para hipocondríacos

Diariamente me deleito com notícias que tratam de estudos e pesquisas que chegam a um sem fim de conclusões sobre temas relacionados com a saúde, comportamento, etc. Algumas das notícias são capazes de deixar qualquer um preocupado, neurótico se bem que outras são simplesmente curiosas. Tentarei atualizar com freqüência, mas como sempre, não prometo nada.

Saúde

comportamento

Pilhas recarregáveis

Não é nenhuma notícia nova, mas eu descobri há pouco e não custa nada divulgar. Como quem tem interesse no assunto sabe, o Wii tem controles sem fios e apesar das facilidades decorrentes disso também ocasionam um pequeno problema: Os controles usam pilhas AA. Duas pilhas para cada controle. E como tenho dois controles gasto 4 pilhas, que em dinheiro e em poluição podem ser significativos. Casualmente descobri pesquisando na internet que esses controles aceitam as pilhas recarregáveis NiMH, essas em formato AA que também se usam em câmeras digitais.

O preço dessas pilhas recarregáveis, não podemos negar, também é salgado, sem contar que é preciso comprar também o recarregador. Mas a longo prazo pode valer a pena e creio que polui menos que o correspondente a um pacote gigantesco de pilhas alcalinas usadas. Mas atenção, já que existem diferentes tipos de pilhas recarregáveis, como oNiCd. Dizem que este ultimo tipo não é recomendado para ser usado com o Wii.

Além disso, para render mais, o melhor é comprar as pilhas NiMH com uma amperagem alta. Quanto maior a amperagem maior a durabilidade das pilhas. Mas ao mesmo tempo, quanto maior a amperagem, maior o preço também. Ao comprar recarregadores de pilhas, recomendo aqueles que vêm com LED (a luzinha) que indica quando a pilha está carregada, e o ideal é que no recarregador informem que suporta a amperagem indicada nas pilhas.

Além disso, há recarregadores que servem para recarregar pilhas do tipo AA, AAA (mais pequenas) e as de 9V, tudo em um. Aliás, esse é outro detalhe: Eu não sabia que havia pilhas recarregáveis no tamanho AAA. Agora uso no meu aparelho de MP3, depois de gastar uma montanha de pilhas AAA normais. Ou seja, há vários aparelhos que funcionam com pilhas recarregáveis e eu não estava sabendo! A idéia é pesquisar para ver se os nossos aparelhos suportam essas pilhas.

Felinos

Cozinho. Descasco e corto verduras e legumes. Se sobram talos, folhas, toquinhos, chamo as gatas para que elas possam cheirar, morder, tocar estes restos, frescos e cheios de odores e texturas diferentes. Os gatos são animais muito curiosos. Investigam tudo. Se há um ruído, se vêem algo fora do lugar já vão dar uma olhada. A falta de estímulos os deixa entediados, ficam ali deitados, inativos. E estar trancado em casa, sempre vendo as mesmas coisas, com as mesmas pessoas, os mesmos ruídos, não é muito estimulante. Venho com as sacolas da compra, e as gatas investigam que há de novo, cheiros diferentes. Passeio por algum lugar e trago notícias do mundo nas solas dos meus sapatos. As gatas sonham com caçar os pássaros que vêem pela janela. Se preparam diariamente para esse momento em que serão capazes de caçar e contribuir para abastecer a casa. Se algum dia trouxerem um ratinho ou passarinho tentarei me segurar para não sair correndo. Dizem que é uma demonstração de apreço, um presente. Lambem o pêlo para deixá-lo limpo e brilhante, correm por toda a casa, saltam, brincam, são gulosos mas comem e bebem sem excessos, descansam na penumbra mas nenhum movimento é ignorado. Figuras estilizadas, aproveitando ao máximo os recursos disponíveis, adoram se deitar ao sol ou dormir horas de preferência sobre tecidos suaves, que não esquentem em excesso. Especialíssimos.

Uma sombra me cutucou a memória

Posso ver da janela o pátio de uma escola. É a hora do recreio e vejo as crianças e adolescentes movendo-se por todos os lados, conversando ou correndo pelo pátio, frenéticos, lanchando, brincando. E ali, o que me chama mais atenção é um garoto alto, imóvel, em pé, sozinho, apoiado em uma parede, observando os outros. Está ali todos os dias da mesma forma. Franja que cai sob seus olhos, ele não se move. Vejo de longe. O garoto ali parado com os braços cruzados, em um canto, em meio ao caos da hora do recreio. Todos gritando, rindo, brincando. O garoto sem expressão. É como uma sombra. Ninguém presta atenção. Posso reconhecê-lo em alguns momentos do meu passado. Algumas vezes aparece alguém assim. É provável que todos o reconheçamos ou que ainda sejamos o próprio garoto, em algum instante, em algum momento atual ou passado, na nossa memória.